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Depois que escapar, Temer baixará o pacote de maldades

10/10/2017







Por Tereza Cruvinel

Nem os cisnes que habitam o espelho d’água do Congresso têm dúvidas sobre o resultado da votação na Comissão de Constituição e Justiça: o parecer do relator Bonifácio Andrada será contra a última denúncia de Rodrigo Janot contra Temer, Padilha e Moreira e, antecipando o resultado do plenário, a comissão o aprovará. Os que eram votos duvidosos já foram ou estão sendo substituídos. Depois que escapar, Temer baixará mais um pacote de maldades contra a população, e especialmente contra os funcionários públicos, para reduzir os gastos do governo no ano que vem. O pacote está no forno, aguardando apenas que a Câmara rejeite a denúncia. Entre as medidas engatilhadas, o aumento da contribuição previdenciária dos servidores, de 11% para 14%, o congelamento de todos os aumentos previstos e o corte de outros benefícios.

Mas haverá uma punhalada também para os deputados aliados. Só depois de escapar, Temer sancionará o projeto de lei de conversão decorrente da MP do Refis. Os congressistas enfiaram no texto original uma coleção de jabutis que favorecem empresários e devedores da União, reduzindo a estimativa de receita a ser obtida com o Refis. Pressionado pela equipe econômica, Temer vetará algumas destas “cortesias” que os parlamentares fizeram com o chapéu do Tesouro, beneficiando as próprias empresas ou esperando de terceiros alguma retribuição financeira na campanha eleitoral. Pois como já explicamos, embora as doações empresariais estejam proibidas, graças a um veto de Temer as pessoas físicas poderão fazer doações ilimitadas. Sai a empresa, entra o empresário. Mas Temer só sancionará a medida depois que escapar. Os aliados vão chiar mas será tarde.

E ainda há o problema das emendas orçamentárias que foram prometidas mas nem todas foram, até agora, liberadas. Este será o xis da questão entre a votação de hoje na CCJ e a votação no plenário, lá pelo dia 25. A pressão dos deputados irá às alturas. Poderão até criar a ilusão de que a denúncia poderá ser aprovada mas ninguém se iluda: o que eles querem mesmo é milho no cocho e nada mais.

Ainda entre as medidas para conter gastos no âmbito da máquina administrativa, o governo estuda a fixação de um piso salarial de R$ 5 mil reais para os funcionários que ingressarem no serviço público daqui para a frente, o que desestimulará o ingresso em carreiras mais qualificadas, como as de gestores, auditores e diplomatas. A obediência ao teto salarial será rigorosa e os auxílios para habitação e remoção serão severamente reduzidos.

Outra medida anunciada em agosto e até agora não anunciada é o fim da isenção de imposto de renda para aplicações em LCA e LCI, fundos que atraem muito os poupadores de classe média. Outras maldades, com certeza, estarão no pacote que a equipe econômica mantém no forno baixo, à espera de que o Congresso conceda um novo indulto a Temer e seus dois ministros pelos crimes de organização criminosa, e no caso dele, por obstrução da Justiça. 

Depois disso, Temer deslizará para o final de mandato, afogado pelos índices de rejeição nunca antes experimentados por um presidente, próximos dos 100%. Os deputados irão cuidar da campanha, apostando no esquecimento da população, embora a maioria absoluta declare nas pesquisas a intenção de não votar nos salvadores de Temer. O eleitorado, de sua parte, começará a pensar na eleição, enxergando em Lula sua única chance de salvação, apesar da incerteza jurídica que cerca sua candidatura. O quadro começará a se definir, como já acontece no âmbito do PSDB, com o naufrágio da candidatura arrivista de João Dória.

Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
 


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