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Crise na base às vésperas da 2ª denúncia explica nervosismo de Temer

30/08/2017







Por Teresa Cruvinel

Do Brasil 247

O nervosismo de Temer transborda no vídeo que ele postou nas redes antes de embarcar para a China:  Tem gente que “quer semear a desordem nas instituições mas tenho a força necessária para resistir”, disse em referência implícita ao procurador-geral Rodrigo Janot e à sua próxima denúncia. Temer sabe que a situação mudou, de 2 de agosto para cá,  e que não contentará sua base apenas com demissões de indicados pelos “traidores”.

O que o Centrão exige é a demissão dos ministros do PSDB, especialmente  a do coordenador político Antonio Imbassahy e a do ministro das Cidades Bruno Araújo.  Temer está entre a cruz e a caldeirinha. Demití-los será empurrar o PSDB para  fora do governo, perdendo seu pilar mais sólido de sustentação.  Mas contrariando a turma do Centrão, corre o risco de ver crescer a rebeldia no baixo clero que foi decisivo para barrar a primeira denúncia.

A demissão de mais de cem apadrinhados de “infiéis” que votaram a favor da primeira denúncia em 2 de agosto foi um aperitivo leve para o Centrão, que continua indócil.  Primeiro, porque as exonerações foram publicadas mas não,  ainda,  as nomeações dos indicados pelos “fieis”.  Depois, porque os tucanos continuam sendo poupados. Metade da bancada tucana votou contra Temer naquela ocasião  (22 a 21, foi o placar). Mas,  até agora,  só foram exonerados os ocupantes de cargos indicados por partidos como PSB, SD, DEM, PP e outras siglas que entregaram uma porção bem maior de votos, proporcionalmente ao tamanho das bancadas. 

Pelo tamanho da traição do PSDB, diz um deputado da fileira rebelde,  o castigo ao partido não pode ficar só no segundo escalão, devendo atingir também pelo menos os dois ministros, que são deputados e não conseguiram convencer nem seus próprios colegas de bancada.  Os outros dois são o chanceler Aloysio Nunes Ferrreira, que é senador, e Luislinda Valois, de Direitos Humanos, que não é parlamentar.   Além da “traição” de metade da bancada tucana, o PSDB ainda veiculou, no dia 17 de agosto, o programa partidário em que critica o “presidencialismo de cooptação” e define Temer como um presidente que “enfrenta dificuldades para governar e unir o país”.  Se continuar premiando um partido que faz isso, dizem os do Centrão, Temer estará mostrando que a fidelidade não compensa. 

As demissões, por outro lado, estão levando água para o moinho dos descontentes. Muitos deputados aliados que votaram contra a denúncia planejavam continuar  firmes com a agenda do Governo mas, diante da retaliação, sentem-se agora liberados para agir como oposição.  Retaliações do governo sempre tocam no espírito de corpo da Casa, afetando não apenas a vítima.   

Temer conhece este quadro, e por isso largou a declaração nervosa em vídeo antes de embarcar. Ele sabe que, hoje, não tem “a força necessária” para barrar uma segunda denúncia. Pode vir a tê-la, pois com o aumento do deficit fiscal, conseguiu ampliar o volume de emendas parlamentares que podem ser liberadas.  Aliás, muita gente do Centrão reclama também que boa parte das emendas prometidas para barrar a primeira denúncia não foram empenhadas, e isso é que garante a execução e o pagamento das obras de que elas tratam.  Sem empenho, não há garantia alguma.   Com mais emendas e mais favores, Temer pode, novamente, obter a maioria para barrar a segunda denúncia mas hoje a situação é bem mais complicada. E o nó está na birra do Centrão com o PSDB, na exigência de demissão dos ministros tucanos.

Em 2 de agosto, os votos a favor do acolhimento da denúncia foram 227, quando seriam necessários 342.  Temer conseguiu 263 votos a favor da rejeição, uma vitória magra mas superior aos 171 necessários.  Se nesta barafunda com a base ele perder 93 votos, a denúncia passa.   Para um governo que compra votos descaradamente,  parece um risco baixo. Mas para deputados que começam a ficar aflitos com a perspectiva de não se elegerem por conta do apoio a um governo tão impopular,  ajudar a barrar uma segunda denúncia pode ter um custo alto. Tudo está na balança. 


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